domingo, 2 de maio de 2010

boa noite

Esse é o sono de santa que só vem naqueles braços. E naquele escuro, no escuro daquele colchão. Luz que adormece junto ao barulho dos ônibus passando vazios durante a madrugada, os mesmos que freiam naquele exato ponto, embaixo daquela janela, pra quem sabe, ela levar.
Por lá, onde o céu e a terra perdem a cor, o cheiro é de mata queimada. Os rios são de sangue e a saliva é bote pra almas de leões.
Por lá, o som de respiração ofegante passa fino por entre as carcaças e 4 vaga-lumes azuis se buscam pra dançar num ritual sem lua.
Ele beija na boca como se o mundo fosse acabar. Rosna o orgânico laranja e jorra quente possibilidades de futuro.
Ela fode fêmea do seu homem. É estrela de uma constelação de anjos e demônios beberrões. Pequena, é pérola querendo concha com gosma de proteção.
Juntos, são o nada sendo o tudo que o nada é.
Juntos, são o tudo sendo o nada que o tudo é.
Esse é o sono de santo que só vem naqueles braços. E naquele escuro, no escuro daquele colchão. Luz que descansa junto ao barulho dos ônibus passando lotados durante a madrugada, os mesmos que freiam naquele exato ponto, embaixo daquela janela, pra quem sabe ele levar.

6 comentários:

  1. muito bonito. adorei o final repetindo.

    mas eu queria tanto saber sobre o que é...

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  2. acho que voce sabe sobre o que eh.

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  3. "Ela fode fêmea do seu homem" é a melhor frase sua que já li.

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  4. um "boa noite" o descuido de uma frustração. melhor dormirmos.

    e sim, usarei todo o resto.

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  5. marcelo mayer .... extamente. como o caixote que levei hoje do mar.

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que bom vc deixou um comentario, adorei!