segunda-feira, 17 de maio de 2010

poeZia

De dentro pra fora vem o nada que restou. Vem a ressaca chacoalhada de tudo aquilo que nunca é, que nunca foi, e que provavelmente nunca será. De dentro pra fora vem o vômito, vem o catarro, vem todo tipo de merda. De dentro pra fora vêm os sentimentos, as idéias, as alucinações. As maluquices, as lágrimas, as paixões. Vêm o suor, a saliva, o desejo, vem a foda. Então existe a criança, que veio de dentro, pra fora, pra de novo dentro, pra de novo fora. Veio simplesmente pra ser. E você aí, bem dentro de si, tão fora do eu, perguntando o por que.

domingo, 9 de maio de 2010

domingo, 2 de maio de 2010

boa noite

Esse é o sono de santa que só vem naqueles braços. E naquele escuro, no escuro daquele colchão. Luz que adormece junto ao barulho dos ônibus passando vazios durante a madrugada, os mesmos que freiam naquele exato ponto, embaixo daquela janela, pra quem sabe, ela levar.
Por lá, onde o céu e a terra perdem a cor, o cheiro é de mata queimada. Os rios são de sangue e a saliva é bote pra almas de leões.
Por lá, o som de respiração ofegante passa fino por entre as carcaças e 4 vaga-lumes azuis se buscam pra dançar num ritual sem lua.
Ele beija na boca como se o mundo fosse acabar. Rosna o orgânico laranja e jorra quente possibilidades de futuro.
Ela fode fêmea do seu homem. É estrela de uma constelação de anjos e demônios beberrões. Pequena, é pérola querendo concha com gosma de proteção.
Juntos, são o nada sendo o tudo que o nada é.
Juntos, são o tudo sendo o nada que o tudo é.
Esse é o sono de santo que só vem naqueles braços. E naquele escuro, no escuro daquele colchão. Luz que descansa junto ao barulho dos ônibus passando lotados durante a madrugada, os mesmos que freiam naquele exato ponto, embaixo daquela janela, pra quem sabe ele levar.

sábado, 1 de maio de 2010

alice

De cara limpa. Pretensão: viver. Fui! Os olhos negros perturbados perturbaram o perturbado exaltado. E viu quem tinha que ver. Sem dados pra tirar na sorte, tiro do bolso um botão. Quem sabe me costuro em algum lugar, ... mas frouxo, que é pra gozar também na adrenalina da queda. Do chão no passa. Do chão veio. Por hora, deixa no mudo, e confia. Um dia os lábios rosados vos contarão sobre a prega do alfinete e da linha.

ALI cê.