segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Brinde a Seco

Respiração curta no umbilical ansioso pra atar um nó. Mulher sem poesia deseja nó, não fala a palavra laço e não confeita pão de ló. Muitos pensam que sem confetes não se faz um carnaval, que sapato furado é sinônimo de pobreza e que doce na cabeça é sinônimo de clareza. Esses não conhecem você.

A coceira e a compulsão são vizinhas, senão prima-irmas. Ausência de não, que sussurra sobre aquela queda de braço travada com um anão, que é tão pequeno que poderia passar despercebido, não fosse pelo efeito estufa latente-abrasivo encarregado de corroer lentamente todo o organismo. Doideira nossa de cada dia.

Queimem-se os tecidos no baile do desespero! E que as labaredas lambam as canelas finas, peludas e cansadas dos indigentes com nomes de descendentes de ancestrais desconhecidos. Pirem no teto branco que sustenta a moradia alheia enquanto brincamos de gato e rato. Aqui por baixo, entre lençóis vermelhos, percebo ponteiros no pulso nadando num Titanic contemporâneo, sincronizados com a contagem de Tóquio. Enquanto dentro da gaveta garfos se enrolam em bambolês fosforescentes ao ritmo de um tango jamaicano que um índio do Alasca vendeu a um iraquiano irlandês. Porque a gente só faz sentindo na falta de sentido.

Já não existem cavidades sem diamantes. Seria como fabricar xampu sem condicionador. Penso em Polir Pentear e Plantar, e que todas essas palavras começam com P de permanente e que permitem as pessoas proteger os pedantes. Então me resta pedir que pule de peito na gelatina de picanha do polvo prateado que povoa a privada da praia da Pipa que fica em Natal. Sentir o cheiro dos campos de morango e inspirar bastante putaria em nome de uma redenção qualquer. Somos o que somos.

Com esse jeito de jegue sem joelho joga sua jaqueta no meu jardim de inverno e me ama assim e se possível assado. Porque, sabe, o atual coração gelado, foi defumado naquele banho comunitário que um dia você me deu, junto aquelas presidiarias de um tempo ultrapassado, onde todos se lambuzavam no seu gozo adocicado na tentativa de se salvar. Será que hoje a gente entende que pirata sábio deixa o ouro afundar e que já não escuta tic tac na barriga do crocodilo verde? Pirata de outro mar espera o vento fazer a curva pra depois botar a gaita pra tocar. Enquanto isso eu toco você e você me entoca na oca que espero no futuro viver. Porque a teia e o tempo fomentam nosso fermento.

9 comentários:

  1. Nossa, gostei mto mesmo. Uma escrita simples, clara e q passa todas as informações q quer passar sem se atropelar (ou ME atropelar, hehehe). Achei maneiríssimo. Gosto muito de ler o q vc escreve, pequena! Bjs no coração, N.

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  2. Jan says:
    hahaha todo texto seu é um ensaio sobre a loucura

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  3. Queria ler algo assim, hoje!
    uahuah
    beijo, amei!

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  4. cada dia mais contagiantes e impactantes..seus textos!
    bjs carol

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  5. totalmente IN! me senti completamente dentro disso daí. e a minha felicidade é a mesma de um nó bem atado, entre o que há: nós duas.

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  6. ...
    Penso como crescemos em meio a decadência. Feito a imagem alí do avatar:

    Flor que nasce no meio do asfaLto tem poeira como maquilagem. SÓ O QUE VEIO DE LONGE VAI COM UMA RUGA DE PERTO.

    Dessa vez teve sabor de livro, daqueles com páginas amareladas... hum, é gostoso...

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  7. e se me deixassem em paz, iria com ela, com ele e com você ....

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que bom vc deixou um comentario, adorei!