domingo, 16 de agosto de 2009

vanilla vibe





Foram os três quartos de meias vermelhas com corações rosas que preservaram seu amor durante aquela madrugada. O resto foi entregue ao vento que entrava pela fresta da janela do sexto andar. Já não era igual, de jeito nenhum era igual, a não ser nas suas loucuras. Eram os mesmos seres viscerais deitados, permeados pelos flocos brancos do mês de outubro do ano passado.


Conta nos dedos e mesmo assim perde a conta, e quando descobre o tempo que passou já não lembra mais porque contava. E não lembra mesmo. Divaga sobre aquela porta larga de madeira em branco com flores trabalhadas de cima a baixo. Por ela entravam os raios de sol que esquentavam o mármore do seu chão. Calmaria ao ver imerso na água os restos do anterior. Os restos que se deslocavam de um vaso a outro porque não queriam ir. Descobriu naquele espaço uma tampa, a curiosidade encontrou suas roupas usadas emboladas. Numa tentativa de pescar o cheiro do vivido, enfia tudo buraco a dentro e fecha aquela tampa. Ninguém imagina como estava em paz.


Vinte e sete dias depois. Ironicamente ou não, naquela noite estavam enroladas e guardadas no buraco negro com alças que gosta de carregar sobre o ombro direito. Junto a identidade, ao dinheiro, aos papeis com anotações, suas chaves e um casaco; estavam elas. E dessa vez, antes de meia noite se despediu ... de vez. O par de meias vermelhas que com ele viveu. Preservou o seu amor.

3 comentários:

  1. ...
    -É mordaz o modo com que a memória se agarra aos objetos. E o que falar das imagens e dos cheiros? Uma ´´Persistência da Memória´´...

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  2. É impressionante como vc sabe usar as palavras e através delas tocar o que há de mais precioso em nós... sentimento!

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  3. é, a cris acertou! ta sendo ótimo te ler e me ler no que vc escreve. adorei a troca! bjos

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que bom vc deixou um comentario, adorei!