quinta-feira, 16 de julho de 2009

Eterna Lembrança

Dos meus relacionamentos, um dos mais longos. Um pouco mais de dez anos. Normalmente quando o adjetivo longo complementa o substantivo relacionamento, tendemos a interpretar a sentença como "algo bem sucedido”, certo? Ok, longo sim, bem sucedido? Também. Mas, nem por isso menos sofrido. E talvez um dos mais sofridos, principalmente porque estive nua a maior parte do tempo. Exposta, quase sempre sem defesas, e quase sempre por opção. Algumas vezes sentava em frente ao computador, ligava a tv ou ouvia alguma música pra evitar a sua companhia, mas de uma forma ou de outra estava sempre lá. Presença.

Me acolhe independente de tudo, faça sol, chuva, quer eu grite, quer eu dance, quer eu durma, quer eu cante. Escuta meus prantos com todo o tempo do mundo, parece até que sua principal missão é olhar pra mim. Com toda delicadeza que existe em si, com seu silêncio me questiona como ninguém nunca questionou, e também com seu silêncio ilumina as minhas incontáveis possibilidades. Em uma palavra; Fidelidade.

Confesso que por mais que estivesse bem perto de mim por mais de um ano, só tomei consciência de tal fato durante uma madrugada solitária no meu quarto. Deu sinais, mas eu não entendi. Então com a maior das sutilezas, arrancou com força todas as minhas peças de roupa, alguns pedaços da minha pele, a minha voz e grande parte das minhas lágrimas. Lembro como se fosse ontem, que antes disso tudo acontecer eu já tinha deitado, levantado, me ajoelhado pra rezar, deitado novamente, e levantado. Daí sentei no para-peito da janela, e foi como se a presença do lago, das montanhas, do céu índigo, de todas as casas e carros que passavam tivessem querendo me contar o que estava pra acontecer. Alarme.


Então a faixa 11 daquele cd começou a tocar, e junto com as notas tocou cada centímetro do meu corpo, e aos poucos encontrou uma brecha e por ali chegou bem perto da minha alma. Devagarzinho, como só mestres sabem fazer, me transformou em melodia, e por alguns segundos nos tornamos um. Como os números da faixa 11, mas nesse caso, 1 e 1 não somaram 2. Fusão.

Talvez eu nunca tenha retribuído com o melhor de mim. Algumas vezes toquei firme, e com as mesmas mãos tracei uns símbolos nos seus cantos como forma de cuidado. Por outras pintei, comprei objetos, pendurei acessórios. Infelizmente só pensando em me agradar. Às vezes é muito difícil perceber a natureza do que está a nossa volta e tantas outras mais difícil ainda perceber o que está além do que se vê. Hoje, com muito amor quero poder honrar e agradecer a sua incomparável estrutura. Inesquecível.

Às paredes do meu quarto eu dedico esse Post.


*sempre entre mim e você *
∞ Bruna Buechem [...]

3 comentários:

  1. Seja sozinha ou acompanhada, em momentos felizes ou tristes, elas sempre te deram apoio, é verdade, mas nunca se esqueça dos seres de carne e osso que também podem fazer isso por vc.
    Amei seu texto.
    Luv, N.

    Nina 06.27.09 @ 9:05 pm

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  2. amiga, amei seu texto! como sempre, mt profundo. Não consigo entender como vc pode escrever tão profundamente sobre as paredes do seu quarto hahaha mas é bonito. Não se esqueça das suas amigas q sempre t dão apóio tb! Love u

    Cici 06.29.09 @ 12:27 pm

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  3. ...
    -Cada verso é delimitado por quatro paredes, um piso e um teto. O piso que sustenta, o teto que abriga, as paredes que ouvem em seu silêncio. O triste é apenas sentir que não há calor na cor branca que as revestem que não seja o exalado pelo próprio corpo que por vezes se escorou, num canto, numa aresta, encolhido, desejando que alpi fosse na verdade o cimo de uma montanha, ou o ápide de uma pirâmmide.
    Penso agora que paredes são folhas onde se guardam palavras invisíveis...

    Lindo texto, lindas metáforas..

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que bom vc deixou um comentario, adorei!